Fonte: Portal Movimento Black Money

Sua marca possui atitudes extrativistas ou construtivas na relação com influenciadores digitais?

Antes de começarmos, preciso agradecer o convite de Bia Granja por meio da Monique Evelle para participar do Curso Influencer Marketing Program do YouPix, onde consolidei alguns pensamentos que eu já tinha a respeito do marketing de influência, seu poder e possíveis riscos.

 

Antes, na era analógica, a produção de conteúdo era restrita à academia e mídia tradicional de massa. Agora, nesse mundo digital, o poder de produzir conteúdo está na mão das pessoas, todes são emissores e receptores, saímos do modelo de comunicação centralizada de um para muitos, desenhado por Paul Baran, passando a ser descentralizada até chegar no estágio mais atual, o modelo de comunicação distribuída, de muitos para muitos.

 

O poder das pessoas e a Era do protagonismo 

 

Pessoas buscam pelo protagonismo, almejam pelo reconhecimento das múltiplas narrativas que sempre existiram. Nessa rede de comunicação distribuída, muitas conversas ocorrem ao mesmo tempo, sobre diversos assuntos, em diversos ecossistemas e a concorrência por atenção é grande, mas há algo em comum em todas as conversas, a RELEVÂNCIA.

 

As marcas devem parar de se comunicar com um ar de “olha o que eu fiz” para se expressarem pensando em “vamos fazer juntes?”. A marca deve fazer parte da comunidade que deseja influenciar.

 

Não é mais possível ser tudo para todos, a missão agora é ser algo verdadeiro para alguém. A cultura da aproximação requer que as marcas entendam verdadeiramente seu público. E, para entender, devem estar dentro dos ecossistemas que essas pessoas pertencem. Quem já está inserido nestes ecossistemas e se comunica como um insider é o influenciador digital. Hoje os nano e micro influenciadores são a bola da vez. A função das marcas é estabelecer conversas e eles sabem como se comunicar. 

 

Atitudes extrativistas ou construtivas

 

Sempre que escolher trabalhar com influenciadores, a melhor forma de criação é a co-criação, a marca é quem mais conhece seus produtos e diferenciais e o influenciador é quem mais conhece as pessoas da comunidade que está inserido, ou seja, a mensagem deve ser co-criada para resultados mais efetivos de influência.

 

Tenha o influenciador próximo à sua marca! Apresente sua marca, sua empresa, as pessoas que fazem parte da ação e até seu local físico a ele. Seja claro, diga qual é o propósito da ação e para quê você quer isso. Espere um briefing e uma proposta de custo dele. Após receber, não esqueça de dar o feedback, isso mostra respeito ao profissional. Devemos sempre nos atentar e não teremos atitudes extrativistas, ou seja, sugar o máximo dos influenciadores e não agregar algo em troca, me refiro a dar feedbacks sobre orçamentos, briefings, conteúdos produzidos, e até como o influenciador pode obter melhores KPIs, esse último deve ser de interesse mútuo de marcas e criadores e, além de pagar cachês de acordo com sua importância na campanha. 

 

Nunca tenha uma relação abusiva! Só aparecer quando precisar dele, entregar um “mimo” e não dar mais notícias mostra que sua marca não vê o devido valor que ele tem, abrindo brechas para que seu concorrente se aproxime dele e o cative. O influenciador digital deve se sentir parte da ação, ao invés de se sentir só mais um canal de mídia. Ele não é mídia, ele é um membro importante de um ecossistema que possui linguagem, valores e propósitos próprios e, sem ele, sua marca não irá influenciar as pessoas. 

 

Estabelecer um relacionamento de confiança com o influenciador, estar sempre presente na vida dele, entender suas reais necessidades e valores é crucial se pensarmos em um relacionamento real, com produção de conteúdo atrativo e qualidade de vida para o criador. Quando você precisar dele, seja até em momentos de crise de marca, ele poderá ser um grande aliado na comunicação com o público.

 

Relevância está totalmente associada a autenticidade, por isso, são os influenciadores que tem o poder de convidar as marcas para dentro dos ecossistemas. E, este é apenas o início de uma relação, em que se deve ter conversas constantes e produtivas para o ecossistema.

 

Uma das melhores formas é transferência de capital social. Pensar nas vidas de cada um dos indivíduos, é um trabalho longo, caro e estratégico. Se estes criadores digitais forem ouvidos e tiveram liberdade de criação, eles vão trazer para sua empresa uma real conexão com a essência dos ecossistemas que você deseja impactar, ou seja, relevância.